Julian Assange é o fundador da WikiLeaks

CRÉDITO: PETER NICHOLLS/REUTERS

O que pode acontecer a Julian Assange?

A Suécia desistiu da investigação às alegações de violação de que Julian Assange era acusado e revogou o mandado de procura internacional do fundador da WikiLeaks

O processo foi arquivado na Suécia, ao fim de sete anos de investigação, porque se esgotaram todas as tentativas de execução do mesmo, segundo explicou Marianne Sy, procuradora-geral sueca. O fundador da WikiLeaks continua, no entanto, a recear pelo seu futuro, uma vez que teme ser extraditado para os Estados Unidos, que querem julgá-lo pela maior fuga de informação confidencial da história.

Julian Assange continua, assim, a viver na embaixada do Equador em Londres, onde se encontra refugiado desde 2012, depois de ter pedido asilo para evitar a extradição para a Suécia e, de lá, para os Estados Unidos. No entanto, se deixar a embaixada, arrisca-se a ser multado por ter violado as condições de fiança, ao não comparecer em tribunal há cinco anos para aceitar a extradição. Os tribunais britânicos podem julgar o caso rapidamente e optar por aplicar uma multa menor, mas pode também acontecer que o caso se arraste durante vários meses nos tribunais e um juiz acabe por impor a sentença máxima: até um ano de prisão.

Só depois de resolvida esta questão é que o australiano pode deixar a embaixada em direção ao Equador, país que já exigiu, através do seu Ministro dos Negócios Estrageiros, Guillaume Long, que Londres garanta passagem segura ao antigo hacker. Caso contrário, Assange continuaria a correr risco de extradição. Caso fosse preso, a Suécia podia retomar o caso de alegada violação de que Assange é acusado. Esta é aliás uma possibilidade em aberto até agosto de 2020, altura em que o alegado crime prescreve.

Neste momento, o pior cenário para Julian Assange é mesmo a extradição para os Estados Unidos, onde teme que venha a ser julgado pelos milhares de telegramas militares e diplomáticos confidenciais que revelou. Não é, para já, possível determinar se os Estados Unidos pediram à polícia britânica para prender Assange devido a uma acusação confidencial contra si. O Departamento de Justiça norte-americano, a Casa Branca e o governo britânico recusaram comentar o assunto.

Amigos, amigos... negócios à parte

Em abril deste ano, Donald Trump afirmou que iria apoiar qualquer decisão para prender e acusar Julian Assange por causa da WikiLeaks. O procurador-geral norte-americano, Jeff Sessions, já veio a público sugerir que tal poderia ser uma prioridade.

Ora, esta situação pode ser um bocado ingrata para Julian Assange. É que, durante a campanha eleitoral para presidenciais norte-americanas, a WikiLeaks revelou uma série de emails comprometedores da responsável pela campanha de Hillary Clinton, adversária de Donald Trump no escrutínio.

Além disso, a WikiLeaks expôs ainda o plano do Comité Nacional Democrata de acabar com a candidatura de Bernie Sandres, que concorria com Hillary Clinton pela nomeação democrata. Finalmente, vários apoiantes de Donald Trump defenderam que a WikiLeaks seria a força que viria a acabar com Hillary Clinton.

Um mês antes da eleição, o próprio Donald Trump proclamou o seu "amor" pela WikiLeaks: "Eu adoro a WikiLeaks", disse durante um comício.

Mike Pompeo, diretor da CIA, principal agência de espionagem norte-americana, descreveu inclusivamente a WikiLeaks como "um serviço hostil de informação" e uma ameaça contra a segurança nacional dos Estados Unidos.

A WikiLeaks tem vindo a publicar, nos últimos anos, milhares de documentos militares confidenciais. Em 2010, o grupo liderado por Julian Assange, publicou cerca de 90 mil documentos sobre a guerra no Afeganistão, 400 mil sobre a guerra do Iraque e mais 252 mil telegramas do governo norte-americano, desviados pelo militar Bradley Manning, agora Chelsea Manning, que esteve preso durante sete anos.

Manning foi alvo de um indulto presidencial por parte de Barack Obama, antes de deixar a Casa Branca. Inicialmente condenado a uma pena de prisão de 32 anos, Manning foi libertado ao fim de apenas sete.

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