Kraftwerk apresentam o seu espetáculo 3D no NEOPOP no dia 5 de agosto
FOTO: VINCENT WEST/REUTERS
PROVADOR

Quando os Kraftwerk rejeitaram uma digressão com David Bowie e outras curiosidades

Com mais de 40 anos de carreira, os Kraftwerk são uma banda de culto, considerados os pioneiros da música electrónica e do hip-hop, entre outros. O álbum "Trans-Europe Express" teve um enorme impacto na música electrónica, mas mostrou igualmente aos produtores de hip-hop o poder das caixas de ritmos e sintetizadores.

Este grupo alemão conheceu o sucesso mundial com músicas sobre temas tão mundanos e banais como as auto-estradas e andar de bicicleta. São autênticos criadores, tanto no que diz respeito à manipulação do som, como à criação dos seus próprios instrumentos. Passaram horas a construir os equipamentos com que atuam e vendem o próprio merchandise.

Os Kraftwerk demoraram três anos a desenhar a disposição em palco para a digressão "Computer World"

São meticulosos a esse ponto e pode dizer-se que o tempo investido valeu a pena. O grupo considerava que a disposição anterior era demasiado confusa e, dado que construíam tudo, desde os instrumentos ao equipamento de estúdio, conseguiram poupar bastante tempo na montagem do palco.

Com a nova configuração, conseguem ter tudo pronto em apenas duas horas e conseguem ainda desmontar tudo bastante mais depressa no final das atuações.

Kling Klang é muito mais do que um estúdio de gravação

Os Kraftwerk transformaram um armazém no seu quartel-general, onde gravaram álbuns inteiros, criaram os seus sons e os espetáculos em palco. Inicialmente localizado em Düsseldorf, na Alemanha, foi mais tarde relocalizado para Meerbusch-Osterath, nos arredores daquela cidade alemã.

Kling Klang tornou-se muito mais do que um motivo de orgulho, mas tornou-se também numa editora de música nos Estados Unidos e na distribuidora de todo o merchandising da banda.

"Tour de France" fez parte do filme "Breakin'"

A influência dos Kraftwerk não se ficou com os samples de "Trans-Europe Express" feitos por Afrika Bambaataa em "Planet Rock". O single "Tour de France" (1983) fez parte do filme "Breakin'", apesar de os Kraftwerk não terem permitido que fizesse parte da banda sonora do filme.

No entanto, tal não impediu que saísse um single misterioso, atribuído a uma banda chamada 10 Speed, com uma cover do tema "Tour de France".

 

Os Kraftwerk recusaram ir em digressão com David Bowie

Durante a digressão "Station to Station", em 1976, David Bowie queria que os Kraftwerk abrissem os seus concertos, uma vez que era um grande fã dos seus álbuns "Autobahn" (1974) e "Radio-Activity" (1975).

Os Kraftwerk recusaram o convite mas, tecnicamente, abriram para David Bowie na mesma, uma vez que o cantor tocou a "Radio-Activity" enquanto era projetado o filme mudo "Un Chien Andalou" enquanto o público entrava para o ver atuar.

"Trans-Europe Express" tentava fugir ao rótulo da Alemanha nazi

Enquanto banda, os Kraftwerk achavam que havia muita gente no Reino Unido e nos Estados Unidos que os considerava nazis, uma vez que tinham sido os nacionalistas-socialistas, sob liderança de Adolf Hitler, quem tinha desenhado e construído a rede de auto-estradas alemãs. "Autobahn", um dos seus álbuns mais populares, quer dizer auto-estrada em alemão.

Os Kraftwerk queriam uma identidade mais europeia, não especificamente alemã, e foi esse desejo que esteve na base das letras e músicas do "Trans-Europe Express".

"Pocket Calculator" foi gravado em cinco línguas diferentes

"Pocket Calculator" foi um dos singles extraídos do álbum "Computer World" (1981) e foi gravado em cinco línguas diferentes. Além do inglês, tem ainda versões em alemão, japonês e francês e uma versão em italiano, cantada em lip-sync ao vivo na televisão italiana.

 

Schneider colocou o seu primeiro vocoder analógico à venda no eBay em 2005

Construído no Instituto Nacional para a Ciência e Tecnologia da Alemanha Ocidental, este Barth Musicoder foi feito à medida de Schneider, mas há alguns anos que estava a ganhar pó no Kling Klang. Foi pela primeira vez utilizado no "Ananas Symphonie", a última música de "Ralf und Florian" (1973).

O preço inicial de licitação foi de 425 euros e acabou por ser arrebatado por Daniel Miller, CEO da Mute Records, por 10.600 euros.

Schneider tem um dos primeiros instrumentos electrónicos de sempre

Pouco tempo depois de ter vendido o musicoder no eBay, Schneider descobriu alguns instrumentos electrónicos bastante primitivos numa adega por baixo de um observatório da Universidade de Bonn.

Foi lá que descobriu um protótipo por acabar de um vocoder moderno, criado pelo físico alemão Werner Meyer-Eppler, que morreu de insuficiência renal em 1960. Isto significa que já tinha sido criado um vocoder dez anos antes de Robert Moog e Raymond Scott terem apresentado a sua inovadora invenção.

Kraftwerk era um nome bastante provocador no início dos anos 1970

Na época em que nasceram os Kraftwerk havia um movimento ecológico bastante popular na Alemanha que se opunha à construção de fábricas (kraftwerke). Usar este nome e colocar a imagem de uma fábrica na capa do primeiro álbum foi uma atitude bastante provocativa para a altura.

A colaboração com Michael Jackson que nunca aconteceu

Ralf Hütter conheceu Michael Jackson nos anos 1980 para discutir uma colaboração que, segundo Wolfgang Flür, nunca chegou a acontecer.

Há muito que corre o rumor na indústria de que Hütter chegou aos escritórios de Michael Jackson, onde foi recebido por vários sósias do cantor norte-americano, como se fossem robôs dos Kraftwerk. Hütter negou que tal tivesse acontecido, durante uma entrevista, em 2005.

Flür acrescentou, no entanto, que não foi convidado para a tal reunião e revelou ainda ter ficado triste por não ter sido convidado para conhecer David Bowie e Iggy em 1977. Durante este encontro, Schneider e Iggy Pop foram às compras à procura de espargos, conforme revelou o cantor norte-americano durante um documentário da BBC 2.

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